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Resenha: De Pauliceia Desvairada A Lira Paulistana

“Meu coração estrala.
                            Esse lugar-comum inesperado: Amor.”

Autor: Mário de Andrade
Editora: Martin Claret
N° de Páginas: 470

Nota: 




“Tarde macia, pra falar verdade:
Não te amo mais do que a manhã, mas amo
Tuas formas incertas e estas cores
Que te maquilham o carão sereno.
Não te prefiro ao dia em que me agito,
Porém contigo é que imagino e escrevo
O rodapé do meu sonhar, romance
Em que o Joaquim Bentinho dos desejos
Mente, mente, remente impávido essa
Mentirada gentil do que me falta.
Um despropósito de perfeições
Me cerca e, em grata sucessão de casos,
Vou com elas vivendo uma outra vida:”

Sinopse: Neste volume reúnem-se diversas obras em verso que marcaram a carreira de Mário de Andrade, entre elas "Pauliceia Desvairada", "Losango Cáqui", "Clã do Jabuti", "Remate de Males", "O carro da Miséria", "A Costela do Grã Cão", "Livro azul", "Café" e "Lira paulistana". Uma edição imperdível que permite-nos compreender melhor a concepção dos modernistas brasileiros.


Opinião: Começo essa resenha confessando que foi a minha primeira vez lendo algo escrito por Mário de Andrade, e que também não costumo ler poesias por puro prazer, então posso adiantar que a obra me proporcionou uma experiência nova e única.
Essa edição da Editora Martin Claret reúne vários livros do escritor, achei uma obra bem completa para quem precisa fazer um trabalho sobre ou para quem quer ter uma edição de colecionador de Mário de Andrade. Além de ser capa dura, cada detalhezinho contem um pouquinho de perfeição.
Por mais que o livro tenha entorno de 400 páginas, a diagramação contribui muito para a leitura fluir mais rápido. Demorei um pouquinho mais para ler o primeiro livro “Pauliceia Desvairada” pelo fato de não estar acostumada com o gênero do livro e também por ser a minha primeira experiência com o autor e não estar acostumada com a escrita e nem com a forma como ele expõe suas ideias.
Um ponto que me deixou super animada com a obra, foi quando o autor citou Júlio Verne, um dos meus escritores favoritos. Além dele, Mário de Andrade também cita Platão e outros filósofos e escritores. Temas como amor, patriotismo e política são encontrados na escrita do autor, uma análise crítica que instiga o leitor a prestar mais atenção nesses assuntos.
Na classificação geral o livro ganhou quatro nuvens, mas foi apenas pelo fato de não ser um gênero que eu tenha muita facilidade para ler. A minha poesia favorita foi “Eu Sou Trezentos” do livro “Remate dos Males”. – Recomendo vocês a se arriscarem em um gênero novo, pois foi uma leitura única para mim. Posso dizer que 2017 começou muito bem no quesito leitura! J


“Os dois estavam felizes,
Na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
Ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.” 

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